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Sona praticou meditação andando por muitas horas seguidas, até que a pele da sola de seus pés ficasse toda cortada e sangrando. Sentou-se então em austera meditação, mas sua mente ficou inquieta com pensamentos de dúvida: – abandonei tudo, e me dedico rigorosamente ao treinamento, mas minha mente não está livre das impurezas. Não seria melhor abandonar o caminho e voltar ao mundo?
O Buddha percebendo os sombrios pensamentos que cruzavam a mente de Sona foi até ele, e Sona perguntou:
- Mestre, estou fazendo exercícios severíssimos. Dentre todos os discípulos, não há quem me iguale em zelo. Por que, então, não consigo realizar a iluminação?
- Sona, antes de seres monge, eras um exímio harpista, não?
- Mestre, eu tinha certa habilidade com esse instrumento.
- Então responde: quando as cordas da harpa estão muito tensas obtém-se bom som?
- Não, mestre.
- Quando as cordas da harpa estão muito frouxas, obtém-se bom som?
- Também não, mestre.
- Então, Sona, como fazer para se obter bom som?
- As cordas não devem estar nem tensas, nem frouxas demais.
- Sona, o mesmo se dá com a prática do Dhamma. A aplicação demasiada traz inquietação à mente, e a despreocupação traz negligência. É necessário seguir o caminho do meio, que está entre esses dois extremos.
Desde então, Sona passou a exercitar-se seguido as instruções recebidas e, por fim, acabou realizando a iluminação.
Adaptado do Anguttara Nikaya, 6-55, e do livro “Budismo psicologia do autoconhecimento”, Dr. Georges da Silva e Rita Homenko.


